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Palavra do Presidente – Democracia: o futuro está em nossas mãos

Companheiras e companheiros comerciários,

As eleições são um momento concentrado da democracia. É quando decidimos não apenas quem ocupará a Presidência, os governos, o Congresso Nacional e as assembleias legislativas, mas que país queremos construir e em que Brasil viverão os trabalhadores, nossas famílias e as futuras gerações.

Para nós, democracia não é uma palavra vazia. É participação, consciência, organização e liberdade para lutar.

Nosso Sindicato tem mais de um século de história. Sabemos o que significa enfrentar uma ditadura, a perseguição aos sindicatos e as tentativas de calar a voz dos trabalhadores. Também conhecemos as consequências de quando decisões tomadas no Parlamento resultam em medidas que retiram direitos ou prejudicam os trabalhadores e a população.

Por isso, valorizamos profundamente o direito de organização, de manifestação e de luta pelos nossos direitos. Como entidade representativa dos trabalhadores e parte ativa da sociedade, temos o dever de nos posicionar e atuar firmemente em defesa da democracia.

E não estamos falando apenas do Congresso Nacional, embora sua composição seja fundamental.

Precisamos construir um ambiente político, democrático e institucional em que o povo seja ouvido, em que a Presidência da República dialogue com os trabalhadores e suas organizações e em que Executivo e Congresso possam debater de forma civilizada e franca os grandes problemas nacionais. Haverá divergências — isso faz parte da democracia. O que precisamos é de instituições capazes de enfrentá-las pelo diálogo, respeitando a vontade popular e buscando soluções para os problemas concretos do país.

É assim que fortalecemos a democracia.

A experiência recente demonstra a importância dessa escolha. Temos um Congresso cuja composição é, em grande medida, hostil às bandeiras históricas dos trabalhadores e muito mais aberta aos interesses patronais e dos grandes grupos econômicos.

O fim da escala 6×1 é um exemplo. Uma reivindicação profundamente sentida por milhões de brasileiros enfrentou enorme resistência. Disseram que reduzir a jornada quebraria o país. Mas os trabalhadores falaram, a mobilização cresceu, a sociedade demonstrou amplo apoio à mudança e a pressão popular fez a pauta avançar.

A batalha, porém, não terminou. Precisamos de ainda mais mobilização para conquistar definitivamente o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução dos salários.

Precisamos eleger representantes e construir instituições que dialoguem de verdade com as necessidades do povo: que defendam distribuição de renda, menos impostos para as classes populares, valorização dos salários, saúde e educação públicas de qualidade, transporte digno e a luta pela tarifa zero; que combatam o feminicídio e todas as formas de violência contra as mulheres; que defendam uma Previdência eficiente e terra para quem trabalha e realmente produz os alimentos que chegam às nossas mesas.

Estas eleições acontecem também em meio a crises, conflitos institucionais e uma montanha de propaganda negativa que muitas vezes tenta esconder aquilo que o povo brasileiro vem conquistando.

A luta pelo fim da escala 6×1 tornou-se uma grande pauta nacional. A tarifa zero ganhou força. O combate ao feminicídio ocupa cada vez mais espaço na sociedade. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, os reajustes do salário mínimo com ganho real, a redução da fila do INSS e a retomada do crescimento e da geração de empregos demonstram que é possível avançar.

Reconhecer conquistas não significa acomodação. Cada conquista deve nos dar força para lutar por outras ainda maiores.

E nós não temos medo de dizer que temos lado.

O lado do Sindicato é o lado dos trabalhadores!

Por isso, devemos olhar para os candidatos e perguntar: quem defende o fim da escala 6×1? Quem defende melhores salários e menos impostos para quem ganha menos? Quem defende saúde, educação e transporte público? Quem defende terra para quem trabalha e produz alimentos? Quem combate a violência contra as mulheres? Quem defende a Previdência, os sindicatos e o direito dos trabalhadores de se organizarem e lutarem?

E, principalmente: quando os interesses dos trabalhadores entrarem em choque com os interesses daqueles que concentram riqueza e poder, de que lado estarão?

É também hora de tomar cuidado com os lobos.

Há os lobos em pele de cordeiro, que passaram a vida dentro das estruturas de poder, usufruíram de privilégios e, chegando as eleições, apresentam-se ao povo como se fossem inimigos de tudo aquilo de que sempre fizeram parte.

E há aqueles que sempre mostraram os dentes: atacaram sindicatos, direitos trabalhistas, organizações populares e a própria democracia, mas agora procuram falar de forma mansa para conquistar o voto daqueles que sempre atacaram.

Não importa se o lobo veste a pele do cordeiro ou apenas esconde os dentes durante a eleição.

Precisamos olhar para a história de cada candidato: como agiu quando teve poder, como votou, o que defendeu e ao lado de quem esteve. Não podemos trocar memória por propaganda nem consciência por promessas.

E essa reflexão vale para todos os cargos. Não queremos apenas um Congresso mais aberto ao povo ou apenas uma Presidência comprometida com os trabalhadores. Precisamos fortalecer um ambiente democrático em que Presidência, Congresso, instituições, organizações populares e sociedade possam dialogar, respeitando suas diferenças e colocando os interesses do país e do povo acima das disputas que apenas paralisam a Nação.

A democracia brasileira foi conquistada com muita luta. Trabalhadores e sindicatos sabem quanto custou reconquistar o direito de organização, manifestação, greve e participação política.

O Sindicato não pretende escolher pelo trabalhador. Defendemos incondicionalmente seu direito ao voto livre, sem qualquer constrangimento de patrões, chefes ou de quem quer que seja. Mas voto livre também precisa ser voto consciente.

Quando estivermos diante das urnas, estaremos ajudando a decidir que Brasil queremos deixar para nossos filhos e para as futuras gerações.

Um abraço fraterno a todos.

João Pedro Periard
Presidente do Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região

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