Cinco dias de trabalho, dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial! Uma conquista de gerações que nunca deixaram de lutar por uma vida mais digna!
14 de outubro de 2026: uma data para entrar na história das lutas dos trabalhadores brasileiros! O Senado Federal aprovou, em dois turnos, por esmagadora maioria, o fim da escala 6×1, garantindo dois dias de descanso remunerado por semana e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial! O próximo passo será a promulgação dessa grande vitória pelo presidente Lula.

O fim da escala 6×1 é resultado de muita luta, mobilizações nas ruas e nas redes sociais, amplo debate na sociedade e no Congresso Nacional, com o empenho do governo do presidente Lula e a participação decisiva do movimento sindical e popular. Uma reivindicação que ganhou o coração do povo brasileiro: pesquisas mostraram que mais de 70% da população apoiava o fim da escala 6×1!
São 140 anos desde as históricas jornadas de Chicago, nos Estados Unidos, em 1886, quando trabalhadores enfrentaram a repressão e deram suas vidas na luta pela jornada de oito horas, marco que deu origem ao Dia Internacional dos Trabalhadores.
No Brasil, essa história também foi escrita pelos comerciários. Desde a década de 1920, os trabalhadores do comércio de Belo Horizonte já lutavam pela redução da jornada e pelo direito ao descanso.
Em 29 de outubro 1932, a histórica Passeata dos 5.000, no Rio de Janeiro, marcou a luta nacional pela jornada de oito horas. No mesmo dia, o então presidente, Getúlio Vargas, assinou o decreto que fixou a jornada de 8 horas no comércio, publicado no Diário Oficial no dia 30 de outubro. Tamanha é a importância dessa data que ela ficou estabelecida como o DIA DO COMERCIÁRIO.
Em 1945, o então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, assinou o Decreto nº 149, que estabeleceu o “Horário Inglês” para o comércio local, fixando o fechamento do comércio aos sábados a partir das 12h ou 13h, de modo a garantir o cumprimento da jornada semanal máxima de 44 horas semanais. Essa medida foi um marco histórico de modernização trabalhista e urbana na capital mineira, negociada diretamente entre a prefeitura, o Sindicato dos Comerciários e as associações comerciais.
A bandeira da redução da jornada de trabalho seguiu presente em nossas lutas como o DOMINGO NÃO! e a luta contra os PLs 467/2023 e 851/2024, conhecidos como PLs da Escravidão no Comércio.
A gritaria patronal é antiga! A cada conquista, repetem as mesmas ameaças de demissão em massa, desemprego, falência e desastre econômico. Alguns cinicamente dizem que “não é o momento” de reduzir a jornada. E qual seria o momento ideal, senhores? Basta de chantagem!
A Constituição de 1988 reduziu a jornada semanal de 48 para 44 horas. O “mercado” e os patrões disseram que “o Brasil quebraria”. Não quebrou e não quebrará agora!

A tecnologia avançou, os meios de produção se modernizaram, a produtividade cresceu enormemente. Hoje, os trabalhadores produzem muito mais em menos tempo. Experiências de redução da jornada, tanto no Brasil como em outros países, mostram que é possível preservar ou aumentar a produtividade com menos horas trabalhadas. Não há razão para que os ganhos desse progresso sejam apropriados apenas pelos patrões, enquanto milhões continuam submetidos a jornadas exaustivas!
Todos os dias, milhões de brasileiros acordam cedo, enfrentam ônibus, metrôs e trens lotados, trabalham duro e voltam para casa depois de horas de deslocamento. Lutam pelo pão de cada dia, pela educação dos filhos, para ter moradia, por melhores salários e por um país mais justo.
E o que queremos? Queremos tempo para viver!
Tempo para acompanhar nossos filhos crescendo, conviver com nossos pais, cuidar da saúde, estudar, ter nossa vida espiritual, nos capacitar, descansar, namorar, ir ao teatro, ao cinema, ao parque. Queremos pegar um buzão 0800 para passear com a família! Queremos ter tempo para pensar, sonhar, participar da vida do país e fazer o que bem entendermos com aquilo que também nos pertence: o nosso tempo!

Não queremos passar a vida inteira trabalhando para descobrir, tarde demais, que nos faltou tempo para viver!
E não faltaram aqueles que tentaram barrar essa conquista! O deputado Nikolas Ferreira, ao criticar a proposta na Câmara, chegou a ironizar a possibilidade de demissões em massa, afirmando que, quando sua previsão se confirmasse, aquele dia seria “maravilhoso”.
Flávio Bolsonaro chamou a proposta de “oportunista” e atacou o fim da escala 6×1 falando de uma suposta “liberdade” para o trabalhador escolher sua jornada. Depois aparentou mudar de posição e votou a favor, sem comparecer presencialmente à sessão histórica do Senado. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, declarou que o fim da escala 6×1 é “uma bomba para o país” e que ele e seu partido iriam trabalhar para impedir a votação. Já o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, deixou claro que mesmo com sua bancada votando a favor, irá se opor ao fim da escala 6×1 apresentando uma “alternativa” baseada no pagamento por hora trabalhada.
A vitória chegou apesar de todas as resistências. E seguiremos vigilantes contra qualquer tentativa de impedir seu avanço. Não passarão!
VENCEMOS! E ESSA VITÓRIA TEM MUITOS NOMES!
É a vitória de milhões de trabalhadores que foram às ruas, participaram de manifestações, assembleias e campanhas, levantaram suas vozes nas redes sociais e transformaram uma reivindicação histórica numa exigência nacional!
É a vitória do movimento sindical, dos movimentos populares, da juventude, do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e do Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo, que ajudaram a reunir tantas forças em torno dessa bandeira!
É também a vitória dos parlamentares comprometidos com a redução da jornada. Saudamos, nas pessoas do presidente Lula, do senador Paulo Paim e da deputada Erika Hilton, todos aqueles que trabalharam por essa conquista, debateram, apresentaram propostas e ajudaram a transformar a vontade popular em decisão do Congresso Nacional!
Saudamos especialmente os comerciários e comerciárias, que desde o primeiro momento estiveram na dianteira dessa luta, levando às ruas e aos locais de trabalho a exigência de mais descanso e respeito!
Vencemos por nós, por nossos pais e mães, que tantas vezes não puderam acompanhar o crescimento dos filhos porque precisavam trabalhar. Vencemos por nossos filhos e pelas futuras gerações, que merecem um país onde o trabalho seja fonte de dignidade, e não uma condenação à exaustão!
Essa vitória se soma a outra conquista importante: a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, que significa mais dinheiro no orçamento das famílias trabalhadoras.

E QUEREMOS MAIS! VAMOS NOS ORGANIZAR PARA CONQUISTAR MAIS!
Queremos salários melhores, porque o mínimo não basta para atender às necessidades de uma família! Queremos ampliar direitos, enfrentar os retrocessos das reformas trabalhista e previdenciária, conquistar transporte público de qualidade e tarifa zero, fortalecer a democracia e construir um Brasil que olhe para o futuro com orgulho e de cabeça erguida! Um país sem feminicídio e que nao tolere nenhum tipo de violência contra as mulheres.
Cada luta nos ensina que nossa força está na organização, na unidade, na juventude, nos sindicatos, nas ruas e na capacidade de transformar reivindicações em conquistas. Não podemos permitir que os interesses de uma minoria exploradora se sobreponham às necessidades de milhões de brasileiros!
A aprovação no Congresso é uma vitória histórica. Agora, seguiremos atentos à promulgação, à implementação e ao cumprimento integral das novas garantias!
VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES! VIVA ESSA GRANDE VITÓRIA DO POVO BRASILEIRO!
Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região — 101 anos de lutas e conquistas em defesa da categoria!