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Abrir outras rotas de comércio pode ser a melhor resposta ao Tarifaço de Trump

O presidente nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, criticou o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no segundo dia de abril. Em média, as tarifas foram de 10% para países da América Latina; de 20% para a Europa, e de 30% para Ásia. A deflagração de uma guerra comercial provoca a elevação dos preços de milhares de produtos de uso diário.

As medidas geram incerteza no mercado mundial, derrubam bolsas de valores e paralisam decisões empresariais. O desempenho das bolsas dos Estados Unidos caíram a níveis só vistos em 1920. Trata-se do maior choque tarifário desde os anos 1930, que provoca desestruturação no comércio e pressiona a inflação interna dos Estados Unidos, já que os produtos asiáticos, como equipamentos, máquinas, tratores, computadores e chips, por exemplo, ficam 30% mais caros.

O presidente americano alega que a sobretaxa de tarifas vai proteger a economia dos Estados Unidos da concorrência global, considerada desleal. Mas o real motivo está na perda de competitividade da economia americana: em 2023, a produção industrial dos EUA correspondeu a 17,4% da produção industrial global, bem abaixo dos 28,4% de 2001. A elevação das tarifas não serão capazes de reverter o custo de produção nos EUA, que chega a ser cinco vezes maior do que na Ásia. Enquanto a média salarial nos EUA é de US$ 5 mil, na Ásia é de US$ 1 mil.

NEGOCIAÇÃO E NOVAS ROTAS

Mesmo ficando com uma tarifa mais baixa entre as divulgadas, o governo brasileiro tentará reverter a situação e recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), que teve sua atuação limitada nos últimos anos, por causa da ação dos Estados Unidos. Outra taxação que pode impactar o Brasil é a intenção de Trump de taxar importações de aço e alumínio do país, porque, depois do petróleo, o ferro e o aço são os principais produtos exportados do Brasil para os EUA.

China e países da União Europeia prometem adotar medidas de reciprocidade. No Brasil, o Congresso Nacional reagiu, aprovando projeto que autoriza o governo a taxar os produtos americanos com a mesma intensidade. O melhor deve ser abrir outras rotas de comércio e também revisar a estrutura tarifária nacional. O governo brasileiro deve se valer da conjuntura tarifária vinda dos Estados Unidos para assinar acordos bilaterais, diminuir tarifas e facilitar mecanismos aduaneiros.

PARCERIA SEM SUBMISSÃO – Para Ricardo Patah, que também é presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, mesmo que os Estados Unidos sejam um parceiro histórico do Brasil, “parceria não significa submissão”. Com a abertura de novas possibilidades e alternativas trazidas pela globalização, se a rota comercial com a América do Norte está sendo dificultada, que venham novos parceiros.

Ao defender que o Brasil deve agir com reciprocidade, Patah defende que o Brasil não pode ser refém dos caprichos dos atos intempestivos do presidente americano, que não respeita seus parceiros comerciais. O sindicalista acredita que o futuro do Brasil passa por uma política comercial forte, autônoma e que valorize nossa capacidade produtiva.

Renato Ilha, jornalista (Fenaj 10.300)

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