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MUDANÇAS CLIMÁTICAS, TRABALHO DECENTE E JUSTIÇA SOCIAL: UMA LUTA QUE UNE TRABALHADORES EM TODO O MUNDO

O Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região, entidade filiada à UNI Américas, manifesta seu apoio à campanha internacional promovida pela UNI Global Union, pela UNI Américas e por sindicatos de diversos países sobre os impactos das mudanças climáticas no mundo do trabalho.

A iniciativa tem como base o relatório “Weathering It: Protecting Cleaners and Security Officers in an Era of Extreme Weather” (“Enfrentando o Clima: Protegendo Trabalhadores da Limpeza e Agentes de Segurança em uma Era de Eventos Climáticos Extremos”), publicado pela UNI Global Union em 2026. Embora a pesquisa tenha sido realizada com trabalhadores da limpeza e da segurança, seus resultados refletem problemas que atingem também milhões de comerciários e trabalhadores de outras categorias.

Os dados revelam uma realidade preocupante. Segundo o relatório da UNI Global Union:

  • 62% dos trabalhadores afirmam que eventos climáticos extremos tornaram seu trabalho mais difícil ou mais perigoso;
  • 71% relataram impactos na saúde física;
  • 35% perderam renda ou jornadas de trabalho;
  • quase um quarto dos empregadores não adotou qualquer medida de proteção.

No Brasil, os resultados mostram que:

  • 74,9% acreditam que os eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes e severos;
  • 40,4% sofreram perda de turnos ou renda;
  • 76,2% apresentaram níveis elevados de estresse;
  • apenas 2,9% têm acesso à licença remunerada durante eventos climáticos extremos;
  • apenas 8,2% receberam treinamento de segurança;
  • apenas 4,1% contam com procedimentos claros de emergência.

Esses números demonstram que a crise climática já produz efeitos concretos sobre a vida dos trabalhadores. E reforçam a importância de uma atuação sindical articulada internacionalmente. As mudanças climáticas não conhecem fronteiras, e a defesa dos direitos trabalhistas também precisa ultrapassar fronteiras. A unidade internacional dos trabalhadores fortalece a luta por proteção, dignidade e justiça social em todos os países.

No comércio, o Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região já recebeu denúncias relacionadas ao calor excessivo em supermercados da capital, especialmente em situações nas quais trabalhadores dos caixas são expostos a temperaturas muito elevadas durante os períodos mais quentes do ano. Também já foram registrados casos de estabelecimentos atingidos por alagamentos durante chuvas intensas, exigindo que os próprios funcionários participassem da limpeza e recuperação dos ambientes de trabalho, muitas vezes submetidos a riscos de contaminação, contato com água imprópria e potencial adoecimento.

Essas situações evidenciam como os eventos climáticos extremos afetam diretamente as condições de trabalho. Trabalhadores relatam exaustão, tonturas, dores de cabeça, desconforto térmico e jornadas realizadas em ambientes inadequados, muitas vezes sem pausas suficientes ou medidas efetivas de prevenção.

Realidade na Capital e Região Metropolitana

A situação tem se agravado nos últimos anos em Belo Horizonte e Região Metropolitana. Durante a onda de calor registrada no final de dezembro de 2025, trabalhadores de diversos setores relataram dificuldades para exercer suas atividades em razão das temperaturas elevadas, do desconforto térmico e do desgaste físico provocado pelo calor extremo. Em reportagem da Rádio CBN Belo Horizonte publicada em 29 de dezembro de 2025, profissionais que trabalham em ambientes abertos ou pouco climatizados descreveram os desafios enfrentados diariamente para manter a produtividade e preservar a própria saúde diante das altas temperaturas.

O problema já havia sido evidenciado anteriormente. Em setembro de 2024, reportagem da Record Minas mostrou que pedestres e comerciantes de Belo Horizonte reclamavam do calor intenso enfrentado na capital. Na ocasião, a cidade permaneceu por vários dias sob alerta da Defesa Civil devido às temperaturas elevadas, afetando diretamente trabalhadores do comércio de rua, vendedores, entregadores e demais profissionais expostos ao ambiente externo. As queixas envolviam não apenas o desconforto térmico, mas também as dificuldades para manter as atividades comerciais durante os períodos mais quentes do dia.

A pauta climática também está diretamente ligada à mobilidade urbana. Todos os anos, chuvas intensas provocam enchentes, destruição de vias públicas, interrupções do transporte coletivo e danos a moradias e locais de trabalho. Milhares de trabalhadores enfrentam dificuldades para chegar ao emprego ou retornar para casa em segurança, arcando muitas vezes com prejuízos financeiros e riscos à própria integridade física. Em diversas situações, estabelecimentos comerciais também sofrem com alagamentos, interrupções das atividades e perdas materiais, o que acaba impactando diretamente a rotina dos trabalhadores e suas condições de trabalho.

Os eventos climáticos extremos também provocam impactos indiretos na jornada de trabalho. Ondas de calor severas podem comprometer o funcionamento de serviços públicos, aumentar a demanda por atendimento médico e dificultar os deslocamentos urbanos, enquanto chuvas intensas frequentemente causam interrupções no transporte coletivo e congestionamentos prolongados. Em todos esses cenários, o trabalhador é quem acaba absorvendo grande parte dos prejuízos, seja por atrasos, perda de produtividade, riscos à saúde ou aumento dos custos de deslocamento.

Uma pauta do Movimento Sindical

Da mesma forma, defender os trabalhadores diante das mudanças climáticas significa defender a saúde pública. Nos períodos de inverno, aumentam as internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), impulsionadas pela circulação de vírus respiratórios como a influenza, conforme apontam dados do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Por isso, é papel do movimento sindical defender campanhas permanentes de vacinação contra a gripe e a ampliação da cobertura vacinal entre trabalhadores e população em geral.

Nos períodos chuvosos e de maior incidência da dengue, também é fundamental apoiar campanhas de prevenção, controle do mosquito transmissor e vacinação segura da população. O avanço científico no desenvolvimento e aperfeiçoamento das vacinas deve ser acompanhado e incentivado, sempre com rigor técnico, segurança sanitária e acesso universal para os trabalhadores.

Essa luta se conecta diretamente a outras bandeiras históricas da classe trabalhadora: o fim da escala 6×1, melhores salários, jornadas mais humanas, ambientes de trabalho seguros e respeito à saúde física e mental. Não há trabalho decente sem condições dignas de trabalho. Não há justiça climática sem justiça social.

O Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região reafirma seu compromisso com essa agenda e saúda a UNI Global Union, a UNI Américas e as entidades sindicais participantes por trazerem ao centro do debate uma questão cada vez mais urgente: proteger a vida, a saúde, a renda e a dignidade dos trabalhadores diante dos impactos crescentes das mudanças climáticas.


CLIMA E INFÂNCIA: IMPACTOS QUE TAMBÉM ATINGEM AS FAMÍLIAS DOS TRABALHADORES

Segundo relatório divulgado pelo UNICEF em 16 de junho de 2026, metade das crianças do mundo está exposta simultaneamente a pelo menos três riscos climáticos, incluindo ondas de calor, enchentes, secas, tempestades e outros eventos extremos. O estudo alerta que mais de um bilhão de crianças convivem atualmente com múltiplas ameaças relacionadas às mudanças climáticas.

Os impactos vão além das questões ambientais. Eventos climáticos extremos afetam a saúde, a educação, a alimentação, a mobilidade e a segurança das crianças. Enchentes podem interromper aulas, ondas de calor prejudicam o aprendizado e aumentam os riscos à saúde, enquanto desastres climáticos frequentemente comprometem o acesso a serviços essenciais.

Por isso, quando o movimento sindical defende políticas de adaptação climática, proteção social, saúde pública e infraestrutura resiliente, também está defendendo o futuro dos filhos e filhas da classe trabalhadora. Justiça climática significa proteger não apenas o trabalhador em seu local de trabalho, mas também garantir condições dignas e seguras para suas famílias.

Fonte: UNICEF, relatório divulgado em 16 de junho de 2026.

 

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