Capítulo 9 — 2020 a 2025

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Era Digital, da Pandemia e do Centenário

Quando o mundo parou — e nós seguimos sustentando a cidade

Imagem gerada por IA ilustrando atuação do sindicato na pandemia

 

Entramos na década de 2020 sem imaginar que viveríamos um dos períodos mais duros da nossa história. Em poucos meses, o mundo parou. As ruas se esvaziaram, as vitrines se apagaram, o medo se espalhou e a palavra pandemia passou a fazer parte do cotidiano — reconhecida oficialmente como tal pela OMS em 11 de março de 2020.
Para nós, comerciários, o trabalho nunca foi apenas uma abstração. Enquanto parte da sociedade se recolhia, muitos de nós continuaram indo ao balcão, ao caixa, ao estoque e aos centros de distribuição — mesmo quando a incerteza, o medo do contágio e o luto tomavam conta de tudo.
Foi um tempo de dor e perdas profundas.
Mas foi também um tempo de afirmação do papel essencial da nossa categoria.

A pandemia e a linha de frente “invisível”

A chegada da Covid-19, em 2020, impôs decisões difíceis e inéditas. O comércio de Belo Horizonte viveu fechamentos como não se via desde a gripe espanhola, em 1918. Lojas fecharam abruptamente, contratos foram suspensos, jornadas reduzidas e milhares de trabalhadores perderam seus empregos. Em Belo Horizonte, medidas emergenciais foram formalizadas por decretos municipais já em 18 de março de 2020, com suspensão de atividades com potencial de aglomeração.

 

 

Ao mesmo tempo, parte do comércio permaneceu aberta. Supermercados, farmácias e serviços considerados essenciais continuaram funcionando. Nós comerciários estivemos ali, garantindo o abastecimento da cidade em um dos momentos mais críticos da história recente.
O sindicato atuou de forma intensa e permanente:
na defesa do fechamento seguro do comércio quando necessário,
na luta pela vacinação prioritária dos comerciários,
na orientação jurídica sobre medidas emergenciais,
no acolhimento da categoria em um período marcado por medo, adoecimento e luto coletivo.

A pandemia deixou uma lição dura e incontornável: sem organização coletiva, o trabalhador fica completamente vulnerável.

O avanço do digital e a intensificação do trabalho

Durante a pandemia, o varejo digital avançou em ritmo acelerado. Em poucos anos, o comércio eletrônico cresceu mais do que havia crescido em décadas inteiras — com saltos expressivos já em 2020, quando levantamentos do setor apontaram alta acentuada de faturamento e pedidos no e-commerce brasileiro.
Para nós comerciários, isso significou mudanças profundas no cotidiano de trabalho:
aumento da cobrança por produtividade,
novas formas de controle por aplicativos e sistemas digitais,
intensificação do ritmo de trabalho,
ampliação do adoecimento mental.

O sindicato passou a debater com mais força temas que se tornaram urgentes: saúde mental, ergonomia, jornadas para mulheres, escalas abusivas e direito à desconexão. O mundo do trabalho mudava rapidamente — e a luta precisava acompanhar essa mudança.

Domingos, feriados e a defesa do tempo

Mais uma vez, o trabalho aos domingos e feriados voltou ao centro do debate. O Sindicato se engajou com todas as forças na luta contra os Projetos de Lei que tinham como objetivo liberar o funcionamento do comércio 24hs ao arrepio da legislação e da CCT. Primeiramente o PL 467/2024 foi derrotado através de uma grande mobilização da categoria. Após fragorosa derrota, ele foi reeditado como PL 851/2025, mais conhecido como PL da escravidão, tem praticamente a mesma redação e a mesma finalidade. No momento da redação desta publicação os comerciários seguem mobilizados, vigilantes e em luta para derrotá-lo novamente.

Na esteira dessas lutas, o Sindicato dos Comerciários de BH e Região retomou a campanha “Domingo Não!”, reafirmando a bandeira que acompanha a entidade desde seus primeiros anos.

Defender o domingo como dia de descanso é defender a convivência familiar, a saúde física e mental e a vida para além do trabalho. Uma luta antiga, agora travada em um cenário digitalizado e ainda mais intenso.

Democracia em risco — e em defesa

8 de janeiro de 2023: ataques contra a democracia e instituições em Brasília. 

 

O período também foi marcado por forte instabilidade política. A eleição de Lula em 2022 abriu expectativas de reconstrução social e institucional, mas o país ainda viveria momentos de tensão extrema, como os ataques às instituições democráticas em janeiro de 2023 — com invasões e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023, dias após a posse presidencial em 1º de janeiro de 2023.
O sindicato manteve posição firme na defesa da democracia, participando de debates nacionais, mobilizações sociais e iniciativas em defesa dos direitos sociais.
Ao longo de sua história, o sindicato sempre soube — e reafirmou mais uma vez — que não há direitos trabalhistas sem democracia.

Posse do presidente Lula para seu 3º mandato

Um sindicato mais amplo, mais moderno e mais presente

Mesmo em um cenário adverso, o sindicato avançou em várias frentes ao longo da década:
ampliação da base territorial,
modernização da comunicação,
fortalecimento da atuação jurídica,
renovação de estruturas de lazer e convivência,
realização de seminários e debates sobre saúde, trabalho, gênero e direitos.

No ano do centenário, a entidade reafirmou a continuidade de um projeto sindical construído coletivamente, com base na participação e na confiança da categoria. Em 11 de junho de 2025, o Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região celebrou 100 anos de existência.

Cultura, cidade e cotidiano em tempos de crise

A pandemia alterou profundamente a vida urbana. O isolamento social, o luto coletivo e a insegurança econômica transformaram hábitos, relações e percepções sobre o trabalho. Em maio de 2023, a OMS declarou o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional relacionada à Covid-19 — mas as marcas sociais e emocionais permaneceram no cotidiano.
Para nós comerciários, a experiência da pandemia deixou marcas profundas, mas também reforçou laços de solidariedade, pertencimento e consciência coletiva. O sindicato tornou-se, para muitos, espaço de escuta, acolhimento e orientação em um dos períodos mais difíceis da vida recente.

Você sabia?

O comércio de Belo Horizonte fechou na pandemia como não se via desde 1918.
Comerciários estiveram na linha de frente durante toda a crise sanitária.
O varejo digital avançou de forma acelerada a partir de 2020, com crescimento expressivo do e-commerce no Brasil.
A campanha “Domingo Não!” foi retomada com força nos anos 2020, em meio a um debate nacional renovado sobre trabalho em feriados e negociação coletiva.
O sindicato chegou aos 100 anos de existência em 2025 — um século de lutas, serviços e conquistas.

Assim era o Brasil e o mundo

O mundo enfrentou uma pandemia global, crises econômicas e tensões políticas. A Covid-19 foi caracterizada como pandemia pela OMS em 11 de março de 2020 e, depois, teve o fim de sua emergência sanitária global declarado em 5 de maio de 2023 — um marco simbólico, sem apagar as consequências sociais acumuladas.
No Brasil, o período foi marcado por polarização, ataques às instituições democráticas e, depois, pela tentativa de reconstrução social e institucional. Os eventos de 8 de janeiro de 2023 se tornaram um divisor de águas no debate sobre democracia, responsabilização e proteção das instituições.

Assim era o comércio

O comércio passou a funcionar de forma híbrida: lojas físicas integradas ao digital. Aplicativos, plataformas de venda e sistemas de controle passaram a ditar o ritmo do trabalho.
A remuneração combinava salário fixo, comissões e metas agressivas. O controle do desempenho tornou-se permanente. A luta sindical passou a incorporar, de forma definitiva, o debate sobre saúde mental, qualidade de vida e limites ao trabalho.

E, em paralelo, o debate sobre domingos e feriados voltou a ganhar força nacionalmente, com mudanças regulatórias e disputas públicas sobre negociação coletiva e condições de funcionamento do comércio.

Política e cultura

  • Vozes da política: a década recente é marcada pela pandemia de Covid-19 e por um ambiente de forte polarização nacional. Em 2023, Luiz Inácio Lula da Silva inicia seu terceiro mandato, em meio a debates intensos sobre reconstrução social, democracia e direitos.
    Ruptura e defesa democrática: os ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes se tornaram um marco da crise institucional, resultando em investigações, prisões e condenações de diversos envolvidos, reforçando o debate sobre responsabilização e proteção da democracia.
    Cidade e cotidiano pós-pandemia: Belo Horizonte viveu o impacto do isolamento e, depois, a retomada gradual do convívio urbano, com o comércio, os serviços e a vida cultural reconstruindo seus ritmos.
    Carnaval consolidado: após a retomada iniciada na década anterior, o carnaval de rua de BH se afirma como uma das maiores expressões culturais da cidade, reunindo multidões e fortalecendo a ocupação popular do espaço público — com estimativas oficiais de milhões de foliões e centenas de cortejos em edições recentes.
    Futebol e identidade coletiva: em 2021, o Atlético Mineiro conquista o Campeonato Brasileiro, título confirmado em 2 de dezembro de 2021, em um marco histórico que pulsou na cidade e reforçou o futebol como linguagem permanente da cultura popular belo-horizontina.
    Cultura contemporânea: a capital segue como polo criativo, com novos circuitos culturais, festivais, música urbana e espaços como o Mercado Novo e Santa Tereza mantendo viva a tradição do encontro e da convivência — com a revitalização do Mercado Novo, especialmente a partir de 2018, transformando o Centro em um ponto forte da economia criativa e da vida noturna.
    Artes, música e obras do período: em meio ao luto e à reinvenção cultural, Minas também projetou sua produção contemporânea. No cinema, o filme mineiro “Marte Um” (de Gabriel Martins) ganhou destaque nacional e foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2023. Na música, artistas mineiros dialogaram com o tempo presente: Djonga lançou o álbum “Nu” (2021) e Marina Sena lançou “De Primeira” (2021), ambos se tornando referências de uma geração que misturou internet, ruas e novas linguagens. E a cena de BH seguiu ecoando para além de Minas — como mostra o álbum “Memórias (De Onde Eu Nunca Fui)” (2021), da banda mineira Lagum, que ajudou a traduzir, em canções, um período atravessado por distância, reinvenção e desejo de recomeço.