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MANIFESTO DOS COMERCIÁRIOS DE BELO HORIZONTE E REGIÃO À CONCLAT 2026

MANIFESTO DOS COMERCIÁRIOS DE BELO HORIZONTE E REGIÃO À CONCLAT 2026

Os comerciários de Belo Horizonte e Região se dirigem à CONCLAT 2026 e a todas as classes trabalhadoras brasileiras, somando sua voz, sua história e sua luta à construção de um Brasil mais justo, democrático e soberano.

Somos parte de uma das maiores categorias do país. O comércio brasileiro emprega mais de 10,5 milhões de trabalhadores e trabalhadoras — homens e mulheres que diariamente movimentam a economia nacional, sustentam suas famílias e constroem, com seu trabalho, a riqueza desta nação.

É em nome dessa imensa força social que afirmamos: os comerciários de Belo Horizonte e Região se somam às bandeiras da CONCLAT 2026 e à luta de todas as classes trabalhadoras do Brasil.

A CONCLAT representa mais do que um encontro. Representa a necessidade histórica de unificar as lutas. Cada sindicato, cada categoria, cada região do país carrega suas próprias reivindicações — mas é na unidade que essas pautas ganham força, se entrelaçam e se transformam em conquistas nacionais.

Esse é o verdadeiro sentido da CONCLAT: unidade na luta para avançar nas pautas democráticas, econômicas e sociais das classes trabalhadoras.

Vivemos, nos últimos anos, um período de duros ataques.

A partir das reformas trabalhista e previdenciária de 2017, promovidas durante o governo Temer, teve início um profundo desmonte de direitos históricos. Em seguida, durante o governo Bolsonaro, esses ataques foram aprofundados e ampliados, com a intensificação da precarização do trabalho, o enfraquecimento das instituições de proteção social e a tentativa de desorganização do movimento sindical.

Direitos conquistados ao longo de décadas — e, em muitos casos, ao custo da liberdade, do suor e até da vida de lutadores do nosso povo — foram brutalmente atacados, fazendo retroceder conquistas sociais em mais de um século.

 Diante disso, nossa tarefa foi clara: resistir, reconquistar e retomar o que é nosso por direito.

E resistimos.

Nos últimos anos, acumulamos vitórias importantes. Avançamos na defesa da democracia, derrotamos tentativas de ruptura institucional, ampliamos direitos e recolocamos na agenda nacional pautas fundamentais para o povo trabalhador.

Mas sabemos: é preciso avançar mais.

É preciso manter vigilância permanente.

É preciso fortalecer o campo democrático, inclusive no Congresso Nacional — espaço onde também se trava uma batalha decisiva pelos direitos das classes trabalhadoras e pela própria democracia.

Foi das tribunas do Congresso que, nos últimos anos, partiram ataques violentos contra o movimento sindical e contra os trabalhadores. Ali ecoaram discursos odiosos, inclusive de exaltação a torturadores, que atentam contra a memória, a verdade e os valores democráticos do nosso país. Ao mesmo tempo, minaram a CLT, desmontaram o Ministério do Trabalho, impuseram a terceirização irrestrita e aprofundaram a precarização.

Por isso, afirmamos que é preciso disputar esse espaço, ocupar essa arena e defender nossos direitos em todos os terrenos. Nos locais de trabalho, nas ruas e nos posicionando de forma firme e clara perante todas as esferas do poder púbico.

Quando os trabalhadores de mobilizam de forma efetiva, o governo federal tem encontrado terreno para construir pontes e avanços, como o fim do IR para quem recebe até R$5.000,00, a ampliação da licença paternidade, e tem criado grupos de trabalho e avançado em projetos para implementação da Tarifa Zero nos transportes públicos e abre-se um horizonte para o fim da escala 6×1.

 

A luta pelo fim da escala 6×1, nesse sentido, não é uma pauta isolada, mas parte de um processo histórico mais amplo: a evolução tardia da jornada de trabalho no Brasil. A última grande redução legal ocorreu há quase quatro décadas, com a Constituição de 1988, que diminuiu a jornada semanal de 48 para 44 horas — patamar que permanece até hoje como podemos ver:

 

Brasil: mais de um século de lutas pela redução da jornada

Ganho de produtividade X tempo livre

 1888 – Abolição da escravatura
Marco do fim da exploração da força de trabalho escrava — chaga histórica que jamais deve ser esquecida.

1932 – Conquista das 8 horas (comerciários)

  • Março: primeiro decreto regulamenta a jornada no comércio
  • Outubro: manifestação dos 5.000 no Rio garante e consolida as 8 horas diárias e descanso semanal

1943 – CLT
Consolidação da jornada de 8 horas e dos direitos trabalhistas.

1949 – Descanso semanal remunerado
Garantia legal do repouso semanal.

Décadas de 1960–1980
A jornada permanece praticamente intacta.

Final dos anos 1980
Ampliação do horário do comércio (até 22h), intensificando o tempo de trabalho.

1988 – Constituição Federal
Estabelece a jornada de 44 horas semanais.

2000–2001 – Governo FHC
Liberação do trabalho no comércio aos domingos.
Marco da “flexibilização” e precarização.

2017 – Reforma Trabalhista de Temer
Imposição de jornadas intermitentes, parciais e terceirização em larga escala, com retirada de direitos.

2018–2022
Governo Bolsonaro aprofunda as reformas e aumenta da precarização sob o discurso de “modernização”.

2020–2024
Terceiro governo Lula e retomada do debate sobre redução da jornada (40h, 36h).

Em todo esse período, houve um salto extraordinário de produtividade.

Antes, uma família comprava um frango vivo, precisava abater, limpar e preparar. Hoje, ele chega pronto ao consumo.
No comércio, o mesmo ocorreu: acesso rápido a mercadorias, cadeias produtivas integradas, industrialização, logística avançada e tecnologia tornaram o trabalho muito mais eficiente.

Ou seja: produz-se mais, em menos tempo.

E, ainda assim, com todo avanço dos meios de produção, automação e tecnologia:

  • A jornada se manteve quase estática
  • O ganho de produtividade não foi convertido em tempo livre
  • Persiste um modelo intensivo de trabalho — especialmente no comércio

 

Por isso, o debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução de salário expressa uma necessidade histórica: fazer com que os avanços tecnológicos e produtivos da sociedade se revertam em mais qualidade de vida, mais tempo livre e mais dignidade para quem vive do trabalho.

Ao recebermos a convocação da CONCLAT 2026, recordamos a histórica CONCLAT do início da década de 1980, quando, após anos de ditadura, o movimento sindical se reorganizou nacionalmente para reconstruir a democracia e os direitos do povo brasileiro.

Hoje, novamente, somos chamados à unidade.

A CONCLAT 2026 acontece após uma nova tentativa de ataque à democracia brasileira, conduzida sob discursos falsamente patrióticos, que buscaram fragilizar as instituições e destruir direitos trabalhistas.

Vivemos tempos contraditórios:
de avanços científicos extraordinários que levam a humanidade a orbitar a lua, mas também de guerras, desigualdades e ameaças à democracia.

Cabe às classes trabalhadoras organizarem-se para que o futuro seja de justiça social — e não de retrocessos.

Que esta CONCLAT seja um marco de unidade, organização e luta.

Que dela saiam classes trabalhadoras mais fortes, capazes de fazer recuar os inimigos da democracia e derrotar definitivamente seus projetos.

Que construamos um Brasil com democracia vibrante, direitos ampliados e soberania nacional.

E que essa construção se dê com base na mobilização permanente, junto às bases, nos locais de trabalho e nas ruas.

Aqui, os comerciários de Belo Horizonte e Região se somam às reivindicações da CONCLAT, assumindo-as como suas e erguendo-as com firmeza:

FIM DA ESCALA 6×1 JÁ!

REDUÇÃO DA JORNADA SEM REDUÇÃO DE SALÁRIO!

BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES!

NÃO AO FEMINICÍDIO!

IGUALDADE DE DIREITOS JÁ!

NÃO À PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO!

NÃO À PEJOTIZAÇÃO E TERCEIRIZAÇÃO!

TARIFA ZERO JÁ!

TRANSPORTE NÃO É MERCADORIA!

Os comerciários mais uma vez se apresentam para ocupar seu lugar nessa luta. Estamos presentes. Estamos organizados. Estamos em movimento.

Recebam nossas saudações de luta e nosso abraço fraterno.

 

João Periard
Presidente do Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região
Secretário Nacional dos Comerciários da UGT

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