O Brasil vive uma realidade brutal: ser mulher ainda é, todos os dias, enfrentar o risco da violência — dentro e fora de casa.
E isso não é percepção. É dado concreto.
Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e do Ministério da Justiça, o país registra cerca de 1.400 a 1.500 feminicídios por ano, o que significa que em média 4 mulheres são assassinadas por dia no Brasil por serem mulheres .
São quatro vidas interrompidas todos os dias.
Quatro famílias destruídas todos os dias.
Quatro histórias interrompidas pela violência de gênero.
O feminicídio não começa no assassinato.
Ele começa na violência cotidiana, no controle, na ameaça, na agressão.
A VIOLÊNCIA TEM LUGAR E RESPONSÁVEL
Os dados mostram que a maioria dos feminicídios acontece dentro de casa.
Na maior parte dos casos, o agressor é companheiro ou ex-companheiro.
Ou seja, quem deveria proteger é quem mais mata.
Isso não é caso isolado — é uma estrutura de violência.
Uma estrutura baseada no machismo, na desigualdade e no controle sobre a vida das mulheres.
AS MULHERES TRABALHADORAS TAMBÉM VIVEM ESSA VIOLÊNCIA
Essa realidade não está distante do comércio — ela está dentro dele.
Uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, revelou algo alarmante:
mulheres trabalhadoras, especialmente vendedoras, relatam medo constante de ir e voltar do trabalho sozinhas, principalmente à noite.
O medo faz parte da rotina.
O trajeto para o trabalho e para casa virou risco.
O direito básico de ir e vir não está garantido.
Para as comerciárias, isso se soma a uma realidade já dura:
- jornadas exaustivas
- baixos salários
- dupla jornada (trabalho + casa)
- exposição constante a situações de vulnerabilidade
A violência contra a mulher também é uma questão de trabalho.
LEIS EXISTEM MAS NÃO ESTÃO BASTANDO
O Brasil avançou com a Lei Maria da Penha e com a Lei do Feminicídio.
Mas os números mostram que isso ainda não é suficiente.
Seguimos vendo:
- crescimento dos casos
- falhas na proteção
- medidas que não são cumpridas
- mulheres sendo mortas mesmo após denunciar
Ter lei é importante, mas não basta. É preciso garantir proteção real.
ESSA LUTA É DE TODA A SOCIEDADE
O combate ao feminicídio não é uma pauta isolada das mulheres.
É uma luta de toda a sociedade — e especialmente das classes trabalhadoras.
Porque:
- a violência destrói famílias
- impacta o trabalho e a renda
- revela desigualdades profundas
O movimento sindical tem responsabilidade:
Denunciar;
acolher;
proteger;
lutar por políticas públicas.
Defender a vida das mulheres é defender a dignidade das classes trabalhadoras.
A SOCIEDADE JÁ DISSE BASTA E ESTÁ EM MOVIMENTO
O enfrentamento ao feminicídio faz parte de uma luta maior, que já está em curso no Brasil.
Uma plataforma nacional de lutas, construída pelo movimento sindical e pelos movimentos populares, que expressa o desejo de transformação da sociedade.
Essa luta está sendo erguida:
- pelas organizações de mulheres
- pelo movimento sindical
- pelo Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo
- pelo movimento VAT – Vida Além do Trabalho
- pelas lutas por Tarifa Zero no transporte público
- e por diversas outras frentes que constroem um país mais digno
A sociedade já decidiu — e já está se mobilizando.
O Sindicato dos Comerciários de BH e Região se soma a essas lutas, locais e nacionais, e vai erguer o combate ao feminicídio em todas as suas mobilizações.
Porque essa é uma luta urgente:
Pela vida das mulheres.
Por justiça e igualdade.
Por um Brasil mais justo e uma democracia cada vez mais forte e vibrante.