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Resposta dos comerciários à “NOTA DE REPÚDIO” do Sindimaco-MG E Sindilojas – MG

O Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região Metropolitana recebeu com indignação a chamada “nota de repúdio” (veja imagem da ‘nota’ abaixo) divulgada pelo Sindilojas MG e pelo Sindimaco MG em sua rede social – no dia 5/03/2026 – contra a PEC 148/2015, proposta que trata da redução da jornada de trabalho.

Falamos aqui em nome da nossa entidade e também em nome da categoria dos comerciários, trabalhadores que diariamente fazem o comércio funcionar, geram riqueza, atendem consumidores, organizam estoques, vendem produtos e sustentam o crescimento do setor.

A nota patronal afirma que o comércio enfrenta dificuldades para contratar trabalhadores e sugere que programas sociais e medidas de proteção ao trabalho estariam desestimulando o emprego. No entanto, os próprios números do setor e declarações recentes de dirigentes empresariais demonstram exatamente o contrário.

Dados do comércio mostram crescimento contínuo

Levantamentos do Termômetro de Vendas da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) mostram que o comércio da capital mineira vem registrando crescimento nos últimos anos.

Segundo dados divulgados pela própria entidade empresarial, o comércio de Belo Horizonte fechou 2024 com crescimento de 2,04% nas vendas, registrando o melhor desempenho dos últimos quatro anos. A informação foi publicada em reportagem disponível em:
https://www.otempo.com.br/economia/2025/2/25/comercio-de-bh-fecha-2024-com-alta-de-2-04-e-atinge-melhor-desempenho-em-quatro-anos-diz-cdl-bh.

Esse resultado consolidou quatro anos consecutivos de crescimento do varejo na capital mineira, com a seguinte evolução:

  • 2021: crescimento de 1,34%
  • 2022: crescimento de 1,32%
  • 2023: crescimento de 1,36%
  • 2024: crescimento de 2,04%

Esses números foram divulgados em publicações como:
https://diariodocomercio.com.br/economia/comercio-bh-fecha-2024-maior-crescimento-desde-2021/
e também em:
https://alemdofato.uai.com.br/economia/comercio-bh-2024-maior-crescimento-ultimos-4-anos/.

Dirigentes empresariais celebraram os resultados

Outro aspecto que evidencia a contradição da nota patronal é que os próprios dirigentes empresariais comemoraram publicamente o desempenho do setor.

Ao comentar os dados do comércio de Belo Horizonte, o presidente da CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva, afirmou:

“O desempenho positivo é consequência da melhora na atividade econômica vivenciada em 2024.”

A declaração foi publicada em reportagens como:
https://alemdofato.uai.com.br/economia/comercio-bh-2024-maior-crescimento-ultimos-4-anos/.

Os indicadores positivos continuaram aparecendo também no início de 2025. Segundo levantamento do próprio setor, as vendas do comércio cresceram 2,2% em janeiro de 2025, mantendo a tendência de expansão da atividade econômica.

A informação foi divulgada em reportagem disponível em:
https://www.otempo.com.br/economia/2025/4/2/comercio-varejista-de-bh-tem-alta-de-2-2-nas-vendas-no-inicio-de-2025-diz-cdl.

Esses dados demonstram que o comércio não está em retração, como tenta sugerir a nota patronal, mas sim em um ciclo recente de crescimento.

Crescimento também nos dados de emprego

Os dados do mercado de trabalho também mostram um cenário positivo.

Informações divulgadas pela Prefeitura de Belo Horizonte indicam que a cidade registrou saldo positivo de empregos formais, com destaque para setores ligados ao comércio e à construção.

Segundo a prefeitura, foram registradas:

  • 1.802 novas vagas na construção civil
  • 382 vagas no setor de serviços
  • 200 novas vagas no comércio

Os números estão disponíveis em:
https://prefeitura.pbh.gov.br/noticias/belo-horizonte-lidera-na-geracao-de-empregos-entre-capitais-do-sudeste.

Esses dados mostram que o crescimento da atividade econômica tem sido acompanhado também pela geração de empregos.

O verdadeiro problema do setor: valorização do trabalho

Para nós, que representamos os trabalhadores do comércio, o ponto mais grave da nota patronal é o ataque direto aos trabalhadores e a tentativa de responsabilizar benefícios sociais e ações governamentais que protegem o trabalhador pelas dificuldades de contratação.

Essa narrativa ignora problemas históricos do setor, como:

  • alta rotatividade de trabalhadores (turnover)
  • dificuldade de retenção de talentos
  • salários frequentemente baixos
  • jornadas longas e desgastantes

O comércio brasileiro enfrenta esses desafios há décadas, e a solução nunca foi retirar direitos ou atacar trabalhadores. Pelo contrário: a solução passa por valorizar a força de trabalho que gera o crescimento do setor.

Sem trabalhadores qualificados, motivados e respeitados, não existe comércio, não existe atendimento ao consumidor e não existe crescimento econômico.

A sociedade é a favor da redução da jornada

A discussão sobre redução da jornada de trabalho, tema da PEC 148/2015, não nasce de um capricho político ou sindical.

Ela reflete uma demanda crescente da sociedade brasileira.

Pesquisa nacional realizada pela NEXUS Pesquisa e Inteligência de Dados, entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro de 2026, ouvindo 2.021 brasileiros em todas as 27 unidades da federação, mostrou que 73% da população é favorável ao fim da escala 6×1, modelo de jornada que impacta diretamente trabalhadores do comércio.

Esse debate mostra que a sociedade brasileira deseja uma organização do trabalho mais justa e equilibrada, que permita conciliar produtividade, saúde e qualidade de vida.

Quem tem motivos para o repúdio são os trabalhadores

Diante de todos esses dados, a contradição da nota patronal se torna evidente.

De um lado, dirigentes empresariais comemoram crescimento das vendas, recuperação da economia e geração de empregos.

De outro, atacam trabalhadores e políticas sociais como se esses fatores fossem responsáveis por problemas estruturais do setor.

Nós, do Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região, afirmamos com clareza: o comércio cresce graças ao trabalho dos comerciários.

Por isso, os comerciários exigem respeito e valorização.

O povo mineiro — trabalhador, produtivo e responsável pelo desenvolvimento da economia — merece reconhecimento pelo seu papel fundamental na construção da riqueza do comércio.

E é exatamente por isso que, diante dos fatos, dos números e da realidade vivida pelos trabalhadores, afirmamos: quem tem razões legítimas para manifestar repúdio são os comerciários e os trabalhadores mineiros.

Repúdio a discursos que desvalorizam o trabalho.

Repúdio a argumentos que ignoram os dados da própria economia.

Repúdio a ataques injustos contra aqueles que são, na prática, a verdadeira força do comércio de Minas Gerais.

 

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