Janeiro Branco: saúde mental também é direito do comerciário
Janeiro é tradicionalmente o mês de recomeços, reflexões e novos planos. É justamente nesse simbolismo que surge o Janeiro Branco, uma campanha nacional que convida a sociedade a olhar com mais atenção para a saúde mental — entendida como o equilíbrio emocional, psicológico e social necessário para viver e trabalhar com dignidade.
No Brasil, esse debate ganhou ainda mais força com a Lei nº 14.556/2023, que reconhece oficialmente a importância da promoção da saúde mental e incentiva ações de conscientização em toda a sociedade, inclusive nos ambientes de trabalho. Afinal, não é possível falar em qualidade de vida sem falar das condições em que se trabalha.
A realidade mostra que o adoecimento mental vem crescendo de forma preocupante, especialmente entre trabalhadores. Ansiedade, depressão e esgotamento emocional deixaram de ser casos isolados e passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas, afetando famílias, relações de trabalho e a própria economia.
O avanço do adoecimento mental no trabalho
Os números ajudam a dimensionar a gravidade do problema. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo [fonte: https://news.un.org/pt/story/2025/09/1850854 ] , sendo a ansiedade e a depressão os mais comuns. Em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a OMS estima que esses transtornos provoquem a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, gerando um impacto econômico global próximo de US$ 1 trilhão.
No Brasil, o cenário também é alarmante:
- Em 2024, foram registrados 472.328 afastamentos por transtornos mentais
- Em 2023, esse número foi de 283.471
- O aumento foi de 68% em apenas um ano
- Em 2025, os afastamentos cresceram ainda mais, chegando a 143%, segundo dados do INSS
Por trás desses números estão jornadas excessivas, pressão por metas, insegurança no emprego, assédio moral e a falta de reconhecimento — fatores muito presentes na realidade dos comerciários.
NR 01 e os riscos psicossociais: saúde mental também é responsabilidade das empresas
O cuidado com a saúde mental no trabalho não é apenas uma questão de conscientização, mas também de responsabilidade legal. A NR 01, que trata das disposições gerais de segurança e saúde no trabalho, estabelece que as empresas devem identificar, avaliar e prevenir os riscos existentes no ambiente laboral.
Cada vez mais, esse debate inclui os chamados riscos psicossociais, como estresse excessivo, assédio, sobrecarga de trabalho, cobranças abusivas e ambientes organizacionais adoecedores. Esses fatores impactam diretamente a saúde emocional dos trabalhadores e precisam ser enfrentados de forma séria.
Nesse sentido, o Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região atua de forma permanente para orientar a categoria, cobrar o cumprimento das normas e defender condições de trabalho mais humanas, seguras e respeitosas. Prevenir o adoecimento mental é tão importante quanto tratar suas consequências.
Cuidar da saúde mental é garantir acesso à saúde
O compromisso do Sindicato com a saúde mental vai além do discurso. Ele se materializa em ações concretas, como a parceria com a Policlínica Salud, que garante aos comerciários sindicalizados acesso facilitado a uma policlínica completa, com mais de 20 especialidades médicas, mediante taxa mínima de coparticipação.
Entre as especialidades oferecidas, duas ganham destaque especial no período do Janeiro Branco: Psiquiatria e Psicologia. Essas áreas são fundamentais para o acolhimento, diagnóstico e acompanhamento de questões como ansiedade, depressão, estresse e esgotamento emocional, além de outros sofrimentos psíquicos relacionados ao trabalho.
Esse atendimento está disponível não apenas para o trabalhador titular, mas também para seus dependentes legais, reforçando o cuidado com toda a família comerciária. A presença dessas especialidades no rol de serviços da Policlínica Salud é um traço marcante da preocupação do Sindicato com o bem-estar integral da categoria.
Sindicalização: fortalecer o Sindicato é fortalecer o cuidado
Benefícios como esse só existem porque há organização coletiva. As campanhas de sindicalização têm papel fundamental para garantir que o Sindicato continue forte, atuante e capaz de ampliar direitos e serviços.
Ao se sindicalizar, o comerciário contribui para:
- Fortalecer sua entidade representativa
- Ampliar a luta por melhores condições de trabalho
- Garantir e expandir benefícios de saúde
- Proteger direitos individuais e coletivos
Campanha salarial e saúde mental: lutar por direitos também é cuidar da mente
Neste momento, o Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região está em plena campanha salarial, debatendo com a categoria e com as entidades patronais os benefícios que irão compor a próxima Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Entre esses pontos, o Sindicato tem defendido pautas diretamente ligadas à saúde mental e ao bem-estar dos comerciários.
São reivindicações que atacam as causas do adoecimento mental no comércio e buscam medidas concretas para preveni-lo e reduzi-lo, como:
- O fim da escala 6×1, que gera exaustão física e emocional
- NÃO ao PL 851/2024, projeto que pretende impor o funcionamento do comércio 24 horas em Belo Horizonte
- A defesa de benefícios como a telemedicina, já adotados em diversas cidades brasileiras, ampliando o acesso à saúde e reduzindo o desgaste do trabalhador
Essas pautas mostram que lutar por direitos trabalhistas também é lutar pela saúde mental. Jornadas mais humanas, respeito ao descanso e acesso à saúde são condições básicas para que o comerciário viva e trabalhe com dignidade.
O Janeiro Branco reforça essa mensagem: saúde mental é direito, é cuidado e é compromisso coletivo. E o Sindicato segue firme na luta por uma CCT que valorize a vida, o bem-estar e o futuro da categoria.